Tereza Martinello

 

Casada com Apolinário Junkes

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e de outras  informações de Tereza Martinello

Nascida no dia 03 de outubro de 1926, a filha de José Martinello e Josephina Fontana, recebeu o nome de Tereza, já que era a terceira filha do casal, um costume italiano em dar nome aos filhos desta maneira. Contrária a personalidade da mãe, Tereza era uma pessoa doce, amável e com uma facilidade muito grande em fazer amizades, e assim foi em todos os dias de sua vida.

 

Em uma época difícil para os imigrantes italianos, Tereza tinha que revezar com a irmã mais velha, Aquelina, o cuidado dos irmãos mais novos, um dia de cada, só assim poderia ir a escola. Assim, a pequena conseguiu estudar apenas o primário, porém, o pouco tempo de estudo foi suficiente para aprender a ler, escrever e a matemática básica, que fazia de cabeça, até mesmo as gramas de queijo quando vendia fracionado.

 

Cresceu na localidade de São Pedro, em Maracajá, e quando ficou moça dedicou-se a aprender corte e costura em um curso que fez em Criciúma. O talento e a habilidade para mexer com as linhas, tesoura e agulhas o tornou famosa na região, onde fazia todos os vestidos de noiva para as jovens.

Por ser de família muito religiosa entrou na congregação de filhas de Maria em Maracajá, aos domingos, como era de costume em toda localidade, iam a missa dominical e a tarde o terço na capela São Pedro. Sua juventude Tereza passou costurando, fazendo o trabalho de casa, cuidando dos irmãos mais novos enquanto seus pais trabalhavam na lavoura com plantação de mandioca, algodão, feijão e outros. Jovem e muito bonita, seu passa tempo era ir aos finais de semana aos encontros de filhas de Maria nas paróquias vizinhas, sempre junto com as primas da família Martinello.

 

O tempo foi passando e ela já com 28 anos não tinha encontrado nenhum pretendente, não por ser feia, era muito bonita, mas a falta de oportunidade e por costurar muito. Ela e as primas filhas de Maria frequentavam as festas em paróquias vizinhas onde os jovens moços iam com intenção de cortejar as moças. Um certo domingo, em uma festa na paróquia de Ararangua apareceu o jovem Apolinário, natural de Forquilhinha, com estilo militar, pois tinha acabado de sair do exercito. Logo este jovem sentiu uma atração e um interesse maior pela elegante Tereza, e com muita vergonha se aproximou da moça olhando no jardim de Ararangua por entre uma forca de árvore.

 

Tomando coragem, perguntou a Tereza se poderia conhecê-la melhor e marcaram um encontro no terço do próximo domingo na localidade de São Pedro. Neste dia, apareceu Apolinário montado em um lindo cavalo para cortejar Tereza. Apolinário nasceu em Forquilhinha no dia 04/03/1930, filho de David Junkes e Edviges Borget Junkes, família tradicionalmente alemã onde em casa a língua falada era o alemão. Jovem de 26 anos, foi seminarista durante quatro anos no seminário de Azambuja, Brusque, e ali permaneceu até os 18 anos, como não tinha vocação para padre foi servir o exercito brasileiro por dois anos. Jovem muito aventureiro e com sede de conhecimento não adaptou se na disciplina militar, foi mandado para casa dos pais para ajudar na lavoura.

 

Tereza achava que naquela época não iria mais casar, pois todas as moças casavam entre 17 e 19 anos, mas Apolinário tinha 26 anos. Quando o jovem decidiu pedir a mão da moça em namoro, a mãe, Josephina, muito brava, não concedeu a sua mão, o motivo era a origem alemã do jovem. Josephina dizia que os alemães eram muito aventureiros e de costumes completamente opostos aos italianos, não compravam terras e então não tinha como dar certo um casamento entre os dois, os costumes e a comida eram muito diferentes. Mesmo sem o consentimento da mãe, Tereza não desistiu, seu pai aprovou o jovem e eles começaram a namorar.

 

Tereza casou-se no dia 21 de janeiro de 1956, e um sábado de manhã, às 9hs, na capela d São Pedro, a primeira noiva a casar-se naquela capela. A missa foi celebrada pelo irmão do noivo, padre Alfredo Junkes e quem levou a noiva para a igreja foi o próprio noivo de charrete. Ao meio dia foi preparado um almoço para os parentes na casa da noiva e a tarde um café para os convidados na casa dos pais do noivo, assim já casados, eles dormiram pela primeira vez na casa do pais do noivo, junto com toda a família do noivo, inclusive os três irmãos padres. Tereza contava que esta foi a pior noite de sua vida pelo constrangimento de ter que dormir com um homem. A jovem não sabia onde seria sua moradia, perguntava para o marido como seria sua casa, já que na casa de seus pais já havia tudo pronto e desmatado. Sendo ela costureira, se preocupava em receber os clientes em sua nova residência. Apolinário apenas respondeu que a casa era em um lugar lindo, com pássaros e animais, mas era diferente da casa de seus pais.

 

Ao amanhecer de domingo, Apolinário pega sua esposa e leva para conhecer sua nova moradia, atravessou um rio e depois em um picada no meio do mato ele apresentou sua moradia, era uma casa com três quartos, sala e cozinha feita por ele mesmo de um jeito bem artesanal, sem nada por perto, então, Tereza que já morava  em um comunidade já evoluída começou a chorar durante três dias de tanta decepção e queria desistir do casamento, mas Apolinário olhou para ela e disse que tudo ia ficar melhor com o tempo e não era fácil assim desistir de um casamento já consagrado.

 

Ali tiveram nove filhos, que nasciam um por ano e continuou costurando para sustentar a família. Costurou a vida toda, até não ter mais agilidade para as agulhas. Criaram os filhos nos costumes italiano e alemão, dando educação, religião e com tanta diferença, predominou a cozinha italiana, mas com algumas coisas do alemão. Não puderam ensinar aos seus filhos as línguas italiana e alemã.  Apolinário sempre trabalhou na lavoura e criação de porcos e assim viveram juntos 53 anos de casado cm muita luta, diferenças, necessidade e muito trabalho e o mais importante sempre respeitando um ao outro com muito amor até o falecimento de Tereza no dia 18/11/2008

Álbum de Família