Tereza Darolt

Casada com Joventino Savi

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Uma mulher de fibra e muito “prendada”. Também era muito tabalhadeira, vaidosa e apaixonada por gastronomia. Assim era Tereza Darolt Savi, filha de Deodato Darolt e Assunta Fontana Darolt. Morena, de olhos castanhos e cabelos pretos, Tereza nasceu dia 02 de dezembro de 1922, às 21 horas, e residiu na localidade de Morro Albino (região da Quarta Linha). Era muito inteligente e dedicada, e adorava cozinhar e cuidar dos afazeres domésticos. De poucas palavras, mas muito solidária, tinha uma grande paixão: se dedicar ao trabalho de cozinheira nos casamentos, algo que sua mãe fazia. 

 

Conheceu Joventino Savi no casamento de seu irmão Francisco, o Chico. A família de Joventino era natural de Azambuja, cidade de Tubarão, mas vivia em Criciúma. Após isso, começaram a paquerar. Casaram-se em 6 de setembro de 1943, e foram morar na residência dos pais de Joventino (Celeste Savi e Domingas), na localidade de São Jorge (na época pertencia a Criciúma). Por lá permaneceram por sete anos. Neste período Tereza engravidou de Vanilda, mas nessa época o marido estava no exército - nas guerras de unificação da Itália -, mas não chegou a ser chamado para atuar na batalha.

Foi nesse período que o casal passou o primeiro sofrimento. A pequena criança adoeceu, pegou meningite, e Tereza mandou chamar o esposo, às pressas. A filha mais velha conta que só deu tempo dele chegar ao quarto para dar adeus à menina, que tinha apenas 11 meses de idade. E a dor de Tereza não parou por aí, Joventino teve que voltar ao exército e, para esquecer a falta que eles estavam lhe fazendo, ela não parava de trabalhar, e contava que muitas vezes foi para a lavoura chorando. Joventino atuou no exército pelo período de quatro anos.

 

Os tempos passaram e três anos depois da morte da primeira criança Tereza teve outro filho, e mais uma vez foi menina. Logo pensaram em dar o nome de Vanilda. Mas a perda persistia na família. Além do primeiro filho, Tereza e Joventino tiveram que passar juntos a morte de mais dois pequenos: Valcedir e Maria de Fátima. Os dois morreram com a moléstia chamada de “Mal dos Sete Dias”.

 

Mudança

Depois de passar sete anos morando com a sogra, e já com a casa de madeira construída na localidade de Cedro, em Maracajá, o casal se mudou com suas duas filhas (Vanilda e Vanda) para esse local, na busca de melhores condições de vida. No começo a fonte de renda da família era o leite, o milho, o feijão, o queijo, o ovo e a venda de porcos. Depois disso, Joventino resolveu colocar estufa de fumo, isso em 1962. Na época foi uma das primeiras estufas de fumo na cidade. Nesse período construíram a casa de material. A residência antiga se transformou em um paiol e anos atrás foi demolida.

 

Mãe dedicada

Tereza era uma pessoa sempre preocupada com a comida para o marido e para os filhos. Quando fazia, ninguém podia colocar a mão. Ai daquele que tentava tirar uma ‘lasquinha’. Era tapa na mão na certa. O prato dos domingos era repleto de grandes sabores, e não podia faltar carne de panela, - que depois de cozida ela cortava em diversas fatias -, maionese, massa e arroz. Para conseguir comprar roupas e até mesmo confeccioná-las, ela colhia ovo e fazia queijo, depois seguia para Criciúma para vender. Sua filha mais velha a acompanhou em muitas das idas para a cidade de Criciúma. Com o dinheiro extra, comprava roupas de cama, de banho e tecidos para fazer peças para os filhos. 

 

Tantas conquistas eram graças ao trabalho árduo do casal que aos poucos foi se juntando com as atividades dos filhos. Exemplo de mãe dedicada, Tereza acordava todos os dias pelas 4 horas da manhã para fazer o serviço de casa, aliás, a casa estava sempre bem limpa e a roupa lavada com os sabões que ela fazia. Depois alimentava as vacas e as galinhas. A função de dar comida para o porco ficava com o marido.

 

O cheirinho de café fresquinho e de pão eram notáveis a qualquer pessoa que chegasse lá. A visita não podia sair de sua casa sem comer algo. Dentre seus pratos prediletos não podia faltar o queijo e a polenta. Tudo feito com muito amor. Além de cozinhar no fogão à lenha os saborosos quitutes, também gostava de bordar e presentear. Tanto que para as suas netas deu um jogo de lençol com duas fronhas, tudo feito em bainha aberta, que era o que mais gostava de fazer. Passava horas e horas bordando, e sentia-se orgulhosa.

 

Como era uma mulher vaidosa e não poupava esforços, ela que adorava os cabelos crespos, pegava a carroça e ia para a região de Encruzo do Barro Vermelho, em Maracajá. A viagem era longa, mas a certeza de trabalho bem feito era a sua felicidade, e estar com os cabelos cacheados era um de seus prazeres.

Além do trabalho doméstico ela ajudava o marido na lavoura, e como não dava para levar os filhos menores, os mais velhos é que iam fazendo as funções. Em riqueza de detalhes, a filha mais velha recorda que, em uma das vezes quando chegaram em casa depois de um dia de trabalho, encontraram a porta arrombada. O filho Antônio tinha uns três meses e havia ficado dormindo. Os ladrões levaram queijo e dinheiro (proveniente da venda de porco e da safra de feijão).

 

As flores que inspiravam a confecção de tapetes

Uma de suas paixões também era vegetação e dentre as plantas que abrilhantavam o jardim de sua casa eram a crista-de-galo e as rosas. Durante a época de confecção de tapetes de Corpus Christi - uma tradição da igreja católica - a vizinhança corria para lá para pegar as melhores flores e confeccionar os mais belos tapetes.

 

Mulher de poucas palavras em italiano, mas as mais vistas eram “Bella”, “Poretta”, e “La brava”. Ela também tinha outra fascinação, comprar roupas, mas detalhe: já saía da loja com a nova peça. Dizia para as vendedoras. “Vou com a peça, dá muito trabalho ter que trocar de novo”. E qualquer evento que ia, lá estava a morena de cabelos cacheados com uma nova peça de roupa. Quando os filhos já estavam crescidos foi a vez de Joventino passar muitos dias entre idas e vindas do hospital em Criciúma. Ele também batalhou muito, mas faleceu dia 27 de julho de 1989 de Enfisema Pulmonar, aos 69 anos.

 

Mesmo assim, Tereza que era uma mulher guerreira, continuou sua vida ao lado dos filhos e dos netos que iam chegando, e apesar de seu coração estar sempre por um “fio”, como dizia seu cardiologista, teve um combate que ela não conseguiu vencer: a doença de Alzheimer. Tereza morreu dia 15 de outubro de 2010, aos 87 anos, ou seja, 21 anos após a morte do marido. Foi muito bem cuidada, principalmente por uma de suas noras (Ivirlene), que não poupou esforços para estar ao lado, dar banho, dar comida na boca, dar remédio e atenção. A casa da família hoje é de propriedade de Vanderlei que mora com a esposa e filhos. Tereza está enterrada ao lado do marido, filhos e sogro, no cemitério, em Maracajá. Ela deixou sete filhos vivos, 20 netos e 13 bisnetos.

 

Dom que veio de Deus

Ela também benzia verrugas por meio de intenção, ou seja, não havia necessidade de a pessoa estar perto. Durante a benção, que ocorria ao pôr do sol, ela falava o verso durante o sinal da cruz: “Deus te salve lua nova, deste bom crescente. Quando tornar de ser nova, me carregue esta semente”. Isso era repetido três vezes e tinha que ser no período de lua nova. Essa função ela passou para uma de suas filhas.

 

Álbum de Família