Octávio Fontana

Casado com Beatriz Philomena De Noni

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informações de Octávio Fontana

Otávio Fontana nasceu no Bairro Mina Naspolini, em Criciúma, SC, onde seus pais moravam, no dia 25 de setembro de 1926. Foi o quarto filho do casal Fiorindo Fontana e Maria Benincá Fontana.

 

Passou a infância na casa dos pais, que ficava na encosta do Morro Cechinel, também conhecido como o Morro da TV, virada para Siderópolis. Naquela época, os terrenos eram divididos em colônias, com aproximadamente 25 hectares. A colônia da família do Fiorindo Fontana abrangia toda a encosta do morro. O terreno é bastante íngreme e quase não tem área plana. A parte mais alta era reservada para a cultura da banana. O restante do terreno era ocupado pelo pasto, pelas roças, pelo mato e pelas construções: casa com quintal, estrebaria, paiol e um engenho de cana com alambique.

 

Otávio estudou só até o segundo ano primário por causa de problemas de saúde. Como sofria de convulsões, que iriam se manifestar até a sua juventude, os pais temiam que pudesse acontecer algum acidente no trajeto da casa até a escola e, por isso, decidiram que ele não estudaria mais.

Naquele tempo, o caminho para a escola era feito através de “picadas”, pelo meio do mato. Esta decisão dos pais o fez sofrer muito, pois sua vontade de prosseguir nos estudos era grande. Seus colegas de escola, depois de frequentar o terceiro ano primário no bairro, iam estudar no Lapagesse, no centro de Criciúma. O gosto pelo estudo era um prenúncio do seu desejo de jovem de sair da roça, de mudar de vida. 

 

Até a idade de 20 anos, Otávio ficou na casa dos pais, ajudando a família nas lavouras de milho, feijão, aipim, cana-de-açúcar e no cultivo da banana. Várias noites foram passadas em claro, junto ao engenho, no preparo do açúcar grosso, do melado e da cachaça. Neste período, junto com o irmão Elias, fabricava cabos de picareta com madeira extraída no mato da família. Os cabos eram vendidos para o irmão mais velho, Anibal, que tinha uma ferraria na mina.

 

A mineração do carvão no Morro da TV era uma atividade forte. Em todas as localidades ao redor do morro, havia uma ou mais minas de carvão – na Mina Brasil, no Lote Seis, no Bainha, no Naspolini, no Tonin e em São Simão. Seu cunhado, José Daros, era proprietário de uma concessão da CBCA e colocou o Otávio para trabalhar na mina, em São Simão, mas ele não se adaptou ao serviço e teve que voltar para a lavoura. Antes de partir, José disse que, caso precisasse de alguém para trabalhar no balcão do armazém, chamaria ele. Por conta desta esperança de mudar de vida, passou a estudar sozinho em casa, preparando-se para o futuro emprego. Estudava a matemática, principalmente a tabuada. Um dos seus momentos de estudos era no engenho, enquanto faziam a cachaça. Segundo seu irmão Elias, Octávio transformava um pedaço de tábua em caderno e, usando um carvão como lápis, nas horas de folga, enchia a tosca tábua de contas. Quando não havia mais lugar para rabiscar, com um trapo, apagava tudo e fazia novas contas.

 

Otávio conseguiu sair definitivamente da roça com 20 anos. Na época, trabalhava com o irmão, José (Bepe), em São Pedro, atualmente, município de Forquilhinha. Sempre acalentou o sonho de mudar de vida, mudar para melhor. Surgiu, então, a esperada vaga de balconista no armazém do cunhado, em São Simão. Ele era o dono da mina e tinha a obrigação também de ter o armazém para fornecer o alimento aos mineiros, inclusive o pão. Às 6h, o armazém devia estar aberto para fornecer o pão para o café da manhã.

 

No dia que recebeu a notícia de que havia conseguido o emprego no armazém, ele estava na roça, pegou a enxada, rodopiou-a no ar e, feliz da vida, disse: “a partir de hoje, não volto mais para a roça!”. Com o tempo, Otávio tornou-se sócio no armazém e, mais tarde, o seu único dono. Este foi o início da sua carreira de empresário. Otávio era uma pessoa de muito trabalho, ele não tinha preguiça de trabalhar. E, quando via que dava resultado, trabalhava com mais vigor. Começava às 6h da manhã e dormia tarde da noite, às vezes 1h da manhã – já que o armazém também funcionava como bar e havia aqueles que não tinham hora para sair.

 

O armazém era no velho estilo “secos e molhados”: panelas, fumo de corda, cereais, etc. No mesmo terreno, ficava o matadouro onde era abatido o gado, cuja carne também era vendida no armazém. Foi um trabalho árduo e desgastante. Em 7 de fevereiro de 1953, casou-se na Igreja de Cocal do Sul, com Beatriz Philomena De Noni. Beatriz nasceu no dia 23 de agosto de 1930, em Cocal do Sul. Filha de Luiz De Noni e de Luiza Soligo.

 

Recém-casados, foram morar durante um ano na Linha Batista, onde Beatriz era professora titular da escola. Otávio continuou trabalhando no armazém, em São Simão. Fazia, diariamente, o trajeto Linha Batista – São Simão – Linha Batista de bicicleta. Para amenizar as dificuldades da viagem, conseguiram comprar uma motocicleta. No início de 1954, alugou a casa da Linha Batista e veio morar em São Simão, onde residiu até maio de 1964. A partir desta data, passou a morar na Rua Hercílio Luz, no centro de Criciúma.

 

Por quase 30 anos, o carvão foi o centro da vida do Otávio. Toda a sua trajetória empresarial foi calcada na mineração do carvão. Na juventude, o primeiro contato com a mineração, na profissão de mineiro, não foi animador. Desistiu em pouco tempo com um frustrante retorno à vida da roça. Entretanto, o reencontro na vida adulta, como minerador, empresário da mineração, seria permanente, até seus últimos dias de vida, tornando-se o ponto marcante da sua trajetória profissional. A ligação com a mineração começa no final da década de 50 e início da década de 60, com a aquisição de uma concessão para a exploração do carvão, em São Simão, a conhecida mina da Poeira. A concessionária era a CBCA. 

 

No decorrer da década de 60, uma lei federal determinou que não se poderia mais extrair carvão em mais de uma boca de mina, determinando uma quantidade de tonelada por boca. A CBCA, proprietária das concessões, juntou os empreiteiros que atuavam naquela área, Otávio Fontana, José Daros e João Carlos Pianta, numa só empresa. Desta união, nasceu a Mineração São Simão. Em pouco tempo, os dois sócios desfizeram-se de suas cotas. A maior parte foi adquirida por Otávio Fontana e a parte restante, por Jovenil Zilli, funcionário da própria Mineração e compadre de Otávio Fontana.

 

A partir de meados da década de 70, como a mineração estava se tornando inviável na atual área de exploração, Otávio e Jovenil transferiram as atividades de extração da Mineração São Simão para a antiga Mina do Tonin, localizada entre o Bairro São Simão e o Bairro Naspolini. Esta mina tinha estado em atividade na década de 50/60, permanecendo desativada por um bom período, até a sua reabertura pela Mineração São Simão. Foi neste local que a Mineração São Simão teve seus melhores momentos, chegando a ter em seu quadro mais de duas centenas de funcionários. No início, as atividades de extração concentraram-se na antiga galeria da Mina Tonin. Como neste período o carvão estava em alta, Otávio Fontana, junto com seu sócio, Jovenil Zilli, resolveu incrementar a extração de carvão, iniciando nova mina, agora na encosta do Morro Cechinel, a mina conhecida pelos funcionários como a “Mina da Minhoca”. Aproveitando este momento e concluída a implantação desta mina, Otávio continuou a aumentar a extração de carvão, abrindo a sua última Mina, a “Mina do Porco”, como foi logo apelidada pelos mineiros, já que estava localizada perto de uma granja de porcos.

 

Esta última mina é a atual mina onde está instalada a Mina de Visitação Octávio Fontana, única mina de carvão aberta à visitação do público. Inaugurada em 28 de outubro de 2011, já recebeu mais de 100 mil visitantes. O nome é uma homenagem ao minerador, que dedicou toda a sua vida ao carvão. Além disso, a Mina de Visitação está localizada na terra que era de seu pai e que, hoje, pertence ao seu irmão Elias.

 

O empreendedor é aquele que está sempre em busca de novas oportunidades, de novos negócios. Dificilmente o empreendedor permanece com apenas um negócio. O objetivo do Otávio era se firmar cada vez mais como minerador, ampliando suas atividades, além de ter uma alternativa para a independência total da CBCA. Por isso, ainda na década de 70, aceitou participar de uma nova sociedade para a extração do carvão, na localidade de Palermo, em Lauro Muller. A empresa em foco era a Carbonífera Palermo. Além da extração do carvão em Palermo, suas atividades se estenderam na localidade de Rio Hipólito, em Orleans e, posteriormente, em Capané, no município de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul. Tanto em Orleans, como em Cachoeira do Sul, a extração do carvão era coisa nova. Tudo tinha que ser iniciado da estaca zero.

 

De Santa Catarina, a Carbonífera Palermo estendeu suas atividades ao Rio Grande do Sul, no município de Cachoeira do Sul. Lá estava o Otávio fazendo as primeiras pesquisas para localizar a mina na área requerida. Posteriormente, esta jazida foi dividida entre os sócios. Otávio Fontana, juntamente com outro sócio e amigo, Dr. Raimundo Perez, constituíram a Carbonífera Capané, proprietária da concessão, remanescente da divisão.

 

Otávio Fontana faz parte de uma geração de empresários que marcou época na nossa região. Criciúma está repleta de pessoas que saíram da roça, sem estudo e enveredaram para a vida empresarial na base do “tato e do faro”, movidos pela vontade de mudar de vida e ser alguém. Levados pela determinação e pelo senso de oportunidade, galgaram o caminho da vitória. Um traço marcante do Otávio era a sua bondade no trato com as pessoas. Bondade da virtude de ser bom, de fazer o bem e nunca passar pela mente sequer a possibilidade de fazer o mal a quem quer que fosse. A sua dedicação pelo bairro e pelas pessoas sempre o acompanharam.

 

Em relação às pessoas, o que comprova a sua bondade era a sua disposição em atender os constantes chamados, a qualquer hora do dia ou da noite, para levar doentes e mulheres grávidas para o hospital. Proprietário do único automóvel do bairro, nunca se recusou a prestar este atendimento nestes momentos de necessidade.

 

Em relação à comunidade, a sua dedicação era vista na participação dos momentos importantes da comunidade. Naquela época, não havia uma associação de bairro, mas o Otávio sempre exerceu um papel de liderança, colocando-se à frente das reivindicações e das realizações comunitárias. Durante muito tempo, cedeu parte de uma propriedade para a construção do campo de futebol, onde o time do bairro pudesse realizar suas partidas. Esteve à frente da construção da nova capela do bairro, substituindo a antiga, de madeira, por uma de alvenaria, bem como na construção do salão da capela. Neste caso, não apenas participou da construção, como também fez a doação do terreno. Além de doar o terreno para o salão da capela, doou, igualmente, o terreno para a construção da quadra de esportes da antiga escola Pe. Francisco Bertero, hoje CEI Carmela Bendet Casagrande.

 

Por estas e outras atitudes, pelo seu exemplo de homem dedicado às pessoas e à comunidade, Otávio Fontana foi merecedor de uma justa homenagem da prefeitura e da comunidade, sendo a principal rua do bairro denominada Rua Otávio Fontana. Feliz de quem entende a transitoriedade da vida e aprende a conviver com o transitório. Na vida, tudo passa. Passa o período de prosperidade, passa o período de dificuldade. Inclusive, passam as pessoas. No dia 5 de janeiro de 1988, Otávio fez a sua passagem. Ficam as lembranças da alegria, da prosperidade. Ficam as lembranças da união, do apoio, da superação das dificuldades. Mas, ficam, acima de tudo, a dignidade de um homem, a superação de um empreendedor da “Cartilha do Boi”, a bondade de um ser humano e amabilidade de um esposo, pai, avô e sogro. Por tudo isto, Otávio sempre estará presente entre nós.

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