Maria Darolt

Casada com Leandro Pavei

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Maria Darolt, nascida em 18 de janeiro de 1918, na comunidade de Morro Albino, em Criciuma/SC – era a filha mais velha do casal Assunta Fontana e Adeodato Darolt. 

 

Pessoa sábia e divertida, sempre procurava ver o lado bom das coisas, sendo bastante positiva. Não deixava transparecer tristeza, embora às vezes, a alma e o coração estivessem em prantos. Mulher de fibra,  forte e trabalhadora gostava de conversar, dançar (mas como o marido não era muito de bailar, ela contentava-se em “apreciar”) e cantar (e era muito comum vê-la trabalhando e “assobiando” certas canções). Além disso, adorava receber visitas e oferecer aquela mesa farta.

 

Era uma pessoa muito carismática, conquistava as pessoas com facilidade, dava-lhes atenção. Tinha um “coração de ouro” – e a caridade era uma constante em sua vida. Tratava a todos igualmente e nunca despediu um “pedinte” sem dar-lhe de comer ou com as mãos vazias. Costumava ser cozinheira nas festas de casamento, mas também, nas horas de tristeza, lá estava Dona Maria, ajudando na preparação do corpo para o funeral e apoiando a família enlutada.

 

 

As portas de sua casa sempre estiveram abertas a quem precisasse, e por isso, até hoje,  na Capelinha  onde ela foi sepultada, lá no Morro do Ermo, a porta continua aberta. Faleceu no dia 03 de dezembro de 1997, vítima de um infarto, quando voltava da consulta de rotina do seu médico cardiovascular – que a tratava há algum tempo da “trombose”. Tinha 79 anos e sua morte tomou todos de surpresa. Como era normal na época, principalmente para as meninas, Maria estudou apenas até o segundo ano primário. Escrevia um pouco devagar, mas sabia ler muito bem.

 

Quanto a vida religiosa, era muito católica e transmitiu aos filhos os mesmos valores que recebeu de sua mãe Assunta. Era associada do Apostolado da Oração. Devotíssima de São Donato (Padroeiro do Morro do Ermo), também passou aos filhos esta fé e devoção.  Ensinou-os a sentar nos primeiros bancos da Igreja, a ficar em silêncio e a rezar o Terço.  Os filhos (meninos) eram coroinhas – auxiliando o Padre nas celebrações; as filhas (meninas), quando maiores, eram catequistas, cantavam no coral e eram “Filhas de Maria”. Encaminhou-os para os sacramentos.  Ensinou-os a cultuar nossos entes queridos com visitas ao cemitério, acendendo velas, com a Reza dos Nove Terços e as coroas de flores naturais para o Dia de Finados. Mostrou-os, pelo exemplo, como amar o próximo e como servir a Comunidade.

 

Maria nasceu, cresceu e casou-se na comunidade de Morro Albino. Morava com os sogros, num sobradinho. Teve 7 filhos.  No ano de 1949 fixou residência na comunidade de Morro do Ermo, município de Turvo, SC. Aqui nasceram mais 8 filhos.  A casa era de material (em tijolo maciço), estilo “pirâmide” – e tinha um “puxado” bem grande, de madeira. Havia um forno de barro na rua para assar a grande quantidade de “misturas”, pois grande também era a família. Tinha uma despensa onde eram feitos e guardados os queijos, puínas, manteigas, salames e as latas de banha. O banheiro era um quartinho de madeira com o tradicional “bacião”. As privadas eram construídas longe de casa (antiga “patente”). A iluminação à base das “pixiricas”, velas e lampiões. A eletricidade chegaria muito mais tarde...

 

O ofício de Maria era o LAR.  Preparava as refeições. Cuidava dos filhos. Costurava, remendava e bordava para sua família. Envolvia-se com as vacas, galinhas e porcos. Muitas vezes também ia para a roça e ainda cultivava a horta e o jardim. A roça produzia feijão, arroz, milho, batata, fumo. Tinha também o engenho de açúcar (a garapa, a puxa-puxa, o açúcar grosso o melado, o açúcar batido), o gado, muitas vacas de leite e a mangueira de porcos. Muitas coisas eram comercializadas no troca-troca. Investia-se em terra e gado. A mão de obra era familiar (mais tarde viriam os “agregados”).

 

Como lazer para a Maria podemos citar: as festas dos santos padroeiros, os casamentos, os batizados dos filhos e dos afilhados, as primeiras comunhões na comunidade, as atividades que envolviam a igreja, confeccionar brinquedos para as crianças (bonecas de pano, bolas de meia, petecas...), os bordados e as visitas às comadres. Mais tarde, dona Maria viria a jogar Dominó e Vareta, inclusive com os netos. Tinha casa no Balneário Gaivota e adorava passar o verão lá. Encantava-se com o mar – que veio a conhecer depois de “velha” (como ela mesma dizia...), fazia suas caminhadas, mas somente encorajou-se a molhar os pés até a altura das canelas.

 

O costume da família em relação a comida era o estilo italiano: polenta, fortaia, salame, queijo, radiche, galinha, mursilha ... Tudo era caseiro: as massas, pães, bolos e bolachas e corujas (rosca de polvilho)... Jantava-se “minestra”. Colhia-se muitos ovos para consumo da família. As batatas doces eram cozidas no tacho e serviam tanto para a alimentação da família como para os porcos. O vinagre e a cerveja   também eram caseiros. Também se fazia o charque, o torresmo, a banha, etc.

 

Maria era alta, magra e elegante. Já mais velha usava os cabelos curtos (e pintados para não aparecer os fios brancos). Era discreta no vestir-se, mas sempre arrumada e com bom gosto. Sempre usava vestido, ou conjuntos com saia e casaco. Gostava de broches, anel, colar e brincos. Tinha aquela vaidade feminina...

 

Relacionava-se bem com todas as pessoas. Era muito ligada a família e a comunidade onde vivia.  Maria Darolt vivia para a família, sem nunca se esquecer de servir a sua comunidade. Foi zeladora da igreja por longos anos, hospedava os padres em sua casa e servia-lhes as refeições.

 

Ao longo de sua vida, com certeza Maria Darolt teve momentos alegres e momentos tristes, pois é assim a nossa vida... Um fato marcante foi, com certeza, a construção e a inauguração da Gruta em honra a São Donato, no pé do morro – e a primeira imagem alí colocada foi doada por ela e pelo seu filho Rui, por graças alcançadas. O brilho no olhar de dona Maria transparecia a felicidade de um sonho realizado, e ela zelou por este lugar até o final de sua vida. A gruta é ainda visitada por muitos fiéis.

 

Maria casou-se com Leandro Pavei, na Igreja São Sebastião de Morro Albino. Era natural da comunidade de Morro Albino, e nasceu em 25 de julho de 1916, sendo filho de Angela Rosso e Angelo Pavei.  Era agricultor, muito trabalhador, alfabetizado, organizado no seu local de trabalho (as ferramentas tinham que estar no lugar), tropeiro, cambista e fabricante de cachaça (Em Morro Albino, na casa do nono Angelo tinham o alambique). Gostava de jogar bocha e canastra. Quanto ao casal, se davam bem, respeitavam-se, tinham valores e trabalhavam unidos. Eram rígidos na educação dos filhos, mas a seu modo, os amavam.  Da terra tiraram o sustento da família e para a terra voltaram com a missão cumprida.

 

Álbum de Família

Bodas de Ouro do casal, Ermo, 1988.

Bodas de Ouro do casal, Ermo, 1988.

Da esquerda, na frente: Rui, Edir, Maria, Leandro, Glória e Jesualda. Atrás: Clemente, Udir, Dalva, Rita, Mafalda e Caetana. Lateral esquerda: Ângela e Augusta. Lateral direita: Otávio e Dalto