Mafalda Fontana

Casada com Cid de Souza Perez

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Contar a história da minha vida é fácil, pois a minha infância é parecida com a de qualquer outra menina daquela época. Tive uma vida pobre, mas muito feliz. Eu costumava brincar em gramados grandes e limpos. Além disso, tive o amor de meus pais e sempre gostei muito da família que Deus me deu.

 

Aos seis anos aconteceu uma coisa que marcou para sempre a minha vida: eu brincava com o canivete que meu pai carregava no bolso e fui raspar uma porta que, abruptamente acabou batendo em meu rosto, ferindo meu olho. O resultado desta traquinagem foi a perda total da visão do olho esquerdo. Sofri muito depois disso, pois as piadas das crianças da escola eram cruéis. Por essa razão eu chorava constantemente e gerei um grande complexo. Aos 63 anos consegui realizar uma cirurgia para corrigir o estrabismo. 

 

Um fato marcante da minha infância eram as idas para a catequese em Criciúma em cima de um caminhão cheio de carvão do senhor José Daros. Por isso, eu chegava à igreja toda suja. 

 

 

Outro evento que me marcou foi que íamos para a escola tremendo de frio e nossa professora fazia uma fogueira para que pudéssemos aquecer as mãos. Todos permaneciam em volta da fogueira e ela nos contava a história do Brasil e dos grandes rios que serpenteiam nosso país. Nossa professora, senhora Carmela Benedet Casagrande, sempre foi muito atenciosa conosco. Eu sempre quis estudar, mas meu pai não tinha como pagar para eu ficar em Criciúma, SC. Eu sempre fui muito religiosa e gostava de ler a bíblia e estudar os cânticos. Eu costumava ir para a roça cantando cantigas de igreja porque eu sentia que isso me aproximava de Deus. Outra coisa que eu gostava muito era o artesanato. Muito cedo comecei a bordar nossas roupas. 

 

Mais tarde, quando moça, fui trabalhar como doméstica na casa do senhor Algemiro Manique. Lá permaneci por quase oito anos. Algum tempo depois, meu pai adoeceu e pediu para que eu voltasse para tomar conta dele. Foi uma época muito difícil! Meu maior medo era perder meus pais, mas, enfim, o dia havia chegado e ficamos apenas com nossa mãe. Quando eu tinha 29 anos fiquei noiva, mas não deu certo. O rapaz acabou se interessando por outra pessoa.

 

Logo depois vim morar em Porto Alegre, RS. Continuei sendo doméstica, trabalhando de dia e estudando de noite. Alguns anos depois fui trabalhar no Hospital Petrópolis. Eu trabalhava na farmácia e fui funcionária residente por mais de três anos. Nesse ponto da minha vida conheci um homem divorciado e iniciei uma vida conjugal. Vivi nove anos com ele. Durante um passeio a Criciúma, ele teve um AVC (acidente vascular cerebral) fulminante devido a pressão alta, o que resultou na sua morte. Alguns meses depois passei a trabalhar como costureira em uma fábrica e morar sozinha. Vivi assim por quase 20 anos, pois não pude ter filhos.

 

Quando me aposentei aos 60 anos, voltei a trabalhar na igreja e fiz curso de ministra da eucaristia e me lancei ao trabalho junto a comunidade para me sentir útil e sair da solidão. Nesse ínterim Deus me enviou uma pessoa boa, Cid de Souza Perez, com quem pude me casar e, enfim, receber a benção de Deus. Continuei trabalhando como voluntária na comunidade com as freiras ensinando pintura para um grupo de mulheres. Mantive esta função por oito anos. Neste momento, algumas dessas funções tornaram-se obsoletas e permaneço cuidando dos afazeres da casa e de meu marido, que, por sinal, precisa muito de mim.