José Fontana

José Fontana filho de Fortunato Fontana e Itália Maria DalPont nasceu dia 15/12/1935, em Linha Rovaris. José era deficiente, era surdo e mudo, mas muito esperto, bravo e nervoso. Muito católico, ia à missa todos os domingos. Morou sempre na casa dos pais.

 

Começou a caminhar com sete anos de idade com o auxílio do irmão Laudelino, que colocava José no meio de suas pernas e ensinava ele a dar as passadas em volta da casa no potreiro, uma vez que a mãe não tinha tempo de ensiná-lo, pois ia para a roça auxiliar o marido nas lidas diárias, além de ter os outros cinco filhos para cuidar. José era o sexto filho.

 

Diante da necessidade especial que José tinha, começou a comer com suas próprias mãos somente com nove anos de idade. Mesmo com suas mãos trêmulas nunca deixou ninguém fazer a sua barba, só um cunhado que ele deixava, ainda quando estava de acordo se não nem ele conseguia. Andava sempre descalço e camisa aberta, não deixava um botão, tirava todos.

Muito econômico, quando o milho estava ficando pouco ele não deixava ninguém pegar uma espiga, nem que fossem os restolhos, para as galinhas, os porcos e as vacas, ele acenava que o milho era pra polenta. Ficava lá no paiol sozinho descascando o milho todo branco de pó. Os irmãos ganharam muitas espigadas que ele jogava para não deixar que eles pegassem uma espiga sequer, a preocupação dele era a polenta, que não podia faltar.

 

Não se divertia, gostava de pastorear e cuidar dos bois e do paiol, onde debulhava o milho para fazer a farinha da polenta. Também gostava de arrancar o mato no meio do milho e do arroz e mostrar para o pai ver que o milho e o arroz estavam no meio do mato. Com isto o pai brigava com os irmãos porque não limpavam direito.

 

O pai dava o dinheiro que não valia mais para ele, que guardava com o maior carinho. Quando chegava alguém na casa, mostrava aquele pacote de dinheiro e acenava que era rico, batia no bolso onde estava o dinheiro. No dia 15 de fevereiro de 1970, ao passar o rio cheio, caiu numa cachoeira muito forte e as águas o carregaram, vindo a falecer. Hoje só nos resta a saudade eterna.