Ermelinda Fontana

 

Casada com Valdomiro Sartor

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e de outras informações de Ermelinda Fontana

Ermelinda Fontana, filha de Fortunato Fontana e Itália Maria Dal Pont, nasceu no dia 20 de agosto de 1939, em Linha Rovaris, cidade de Jacinto Machado, SC.

 

Em sua infância passou por muitas dificuldades, pois ajudava seus pais na agricultura. Não tinha muito tempo para brincar e seus brinquedos eram bonecas de pano e outros objetos simples. Suas amigas de infância eram Ana Rovaris e Irma Tramontin. As mesmas brincavam juntas quando as famílias se visitavam e na escola. Suas brincadeiras preferidas eram a perna-de-pau com taquara, barra e fazer pic-nic nos potreiros.

 

Ermelinda relata que estudou até a 2ª série, pois para chegar até a escola, que se localizava próximo à igreja, precisava caminhar três quilômetros todos os dias. Muitas vezes com lama até os joelhos. Suas professoras foram Alda Pacheco Frassetto e Ema Tramontin e eram consideradas muito rígidas com os alunos. Elas ensinavam a escrever, a ler e também a tradicional tabuada nas aulas de matemática. Ermelinda relata que a professora naquela época, castigava com a régua quem não aprendia.

As professoras também ensinavam a bordar e Ermelinda ainda guarda um desses bordados. O material da escola - um caderno e caneta tinteiro - era carregado pelos alunos numa bolsa de pano. 

 

Os pais de Ermelinda, segundo ela, foram bem rigorosos na educação de seus filhos, principalmente quando desobedeciam. Os irmãos mais velhos eram os que sentiam mais a rigidez na educação dada pelos pais. Certa vez, Ermelinda e sua irmã Elzira derrubaram uma lata de sabão e a sua mãe ameaçou que iria deixá-las dormir na rua. Sylvio, seu irmão, convenceu a mãe a não fazer isto e permitir que as duas entrassem em casa.

 

A casa onde Ermelinda viveu sua infância era grande e já velha. Tinha três quartos, uma sala grande e uma cozinha de assoalho de pedra. Do lado de fora da casa tinha um grande terreiro. A família possuía outra casa no morro da Linha Rovaris, onde ficavam para cultivar a terra. Na época não haviam ferramentas apropriadas para o cultivo, por isso a dificuldade de se trabalhar na roça. Ermelinda e sua mãe iam para casa do morro para cultivar o trigo. Na época da colheita, o mesmo era batido no pilão e levado na moenda para fazer a farinha. Uma parte dos alimentos era para consumo, outra parte se vendia para comprar outros alimentos, colocarem no banco e comprar terras.

 

A família de Ermelinda também criava galinhas, porcos e gansos para retirar as penas e fazer travesseiros e também para vender, bem como vacas de leite para o consumo e fazer queijos. Ela relata que seu pai dizia: “Quem come queijo ficava com a língua comprida”. A situação financeira foi melhorando com o passar dos anos.

 

Muitas vezes, ela teve que juntar esterco de manhã com geada, para colocar na plantação. O café era colhido cedo, colocado para secar, e logo após era batido no pilão, torrado e moído com açúcar mascavo. Da cana-de-açúcar era feito o açúcar, garapa, cachaça e melado. O açúcar branco era só para fazer mistura no domingo. Pão de venda era novidade para as crianças, a carne era pouca. Era servida só aos domingos. Como na época, o meio de transporte utilizado era o carro de boi.

 

A afilhada de batismo de José Zanatta, em sua juventude, usava vestido longo, feito com tecido comprado no mercado. Seu cabelo era curto e não usava joias, pois não tinha.   Ermelinda relata que gostava de costurar, por isso seu pai lhe deu uma máquina de presente. Ela, além dos afazeres na roça, tambpem ajudava sua mãe nos afazeres domésticos.

 

 

União que iniciou numa Domingueira

 

Nos domingos não se trabalhava e, então, ela frequentava as “domingueiras”. Iam a pé para olhar as pessoas dançarem. Numa tarde de domingo ao retornar para casa Ermelinda conversou com Valdomiro Sartor, filho de Domingos Sartor e Maria Meneguel. Ele nasceu dia 25 de junho de 1933, no município de Criciúma.

 

Certa vez, numa dessas “domingueiras”, na volta para casa, Valdomiro e Ermelinda conversaram em cima da ponte do rio da Pedra. Começou um namoro que durou dois anos. O casamento foi no dia 2 de julho de 1960, em uma grande festa, que iniciou às 11 horas com a missa. Após a cerimônia foi servido um almoço na casa dos pais de Ermelinda, com massa e galinha. O café, à tarde, foi na casa dos pais de Valdomiro. Para ir à festa os convidados foram de caminhão. Ermelinda relata que os dois tinham um bom relacionamento, às vezes aconteciam os desentendimentos, mas logo se resolviam.

 

A primeira casa do casal era simples, o chão não era lixado. No início da vida de casados, eles tinham apenas duas vacas e bois, como carro de boi, presenteado por Domingos Sartor. Já a terra onde cultivavam era arrendada do pai de Valdomiro. Eles plantavam milho, aipim e, por muitos anos, o fumo. As refeições de manhã eram café com leite e “mistura” caseira. O almoço era polenta e à noite comia-se minestra. Eles também criavam galinhas, porcos e vacas de leite para consumo e produção de queijos, para o sustento da família.

 

Valdomiro e Ermelinda tiveram seis filhos, sendo quatro mulheres e dois homens. Passaram muitas dificuldades para criar os filhos, pois tinham que levá-los para a roça. Durante o almoço Valdomiro ficava com as crianças para Ermelinda lavar a roupa. Eram bem católicos, participavam das missas aos domingos e, enquanto um deles ia, o outro ficava em casa. Não se rezava mais o terço à noite.

 

A situação econômica da família melhorou com o passar dos anos. Todos os filhos casaram-se e vieram os netos para a felicidade do casal. Valdomiro e Ermelinda se aposentaram e deixaram de trabalhar com o fumo, mas como gostavam muito de dançar, eles ainda frequentavam a dança dos idosos na 3ª idade. No dia 02 de julho de 2010, comemoraram os 50 anos de casados com uma belíssima festa para a família e os amigos. Valdomiro faleceu dia 22 de dezembro de 2011, no hospital Regional de Araranguá. Ermelinda continua bem ao lado de seus filhos e netos e bisnetos.

 

 

Álbum de Família

A família

A família

Ermelinda e Valdomiro com filhos e netos na varanda de sua casa em Jacinto Macho

Ermelinda e filhos

Ermelinda e filhos

Eliete, Ediléia, Ézio, Valdomiro, Edi, Maria, Edio...