Antônio Afonso Fontana

Casado com Emília Possamai

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Após um tempo, os negócios começaram a melhorar e investiram em uma serraria movida através de uma locomotiva, vindo, juntamente, com seu pai a comprar a parte dos demais sócios no ano de 1948. Enquanto trabalhava na serraria com o pai, puxando madeira com carro de boi e carretão, fazia às vezes de corretor de imóveis representando a Colonizadora Dal Bó, na venda de terras na localidade de Santa Terezinha, hoje conhecida como Santa Terezinha do Itaipu – PR. No ano de 1951, adquiriu um caminhão Chevrolet, uma das paixões de Antônio, que pediu todo orgulhoso, no dia do casamento do irmão Ângelo, que tirassem uma foto do noivo e dele, em pé, no estribo do veículo. Com o caminhão levava a mudança das pessoas que adquiriram do Antônio, não só um imóvel em Santa Terezinha, mas a oportunidade de trabalhar em suas próprias terras.

 

O caminhão, comprado zero quilômetros, importado, ainda permanece com Antônio, seu único dono, sendo cuidado e conservado com muito zelo. Com o caminhão Antônio ajudava a comunidade levando pessoas para casamento, enterro, festas e doentes ao hospital. Rapaz alto, magro, olhos azuis, cabelo castanho claro, bonito, charmoso e trabalhador, gostava de ir nas festas religiosas com seus amigos, de onde retornavam às quatro horas da madrugada com os sapatos no ombro para não gasta-los, percorrendo o caminho de volta para casa descalço. Antônio devia ter suas pretendentes, mas em seu coração já morava uma pequenina de olhos azuis e pele bronzeada pelo sol apanhado na lida do campo, que já observava desde pequena, quando esta passava por debaixo das cercas, para visitar seus avós. Trata-se de Emília Possamai, filha mais velha de Joventino Possamai e Assunta Bristot, nascida na localidade de Vista Alegre, Ermo – SC, em 31 de dezembro de 1934, mas na certidão, devido distancia que se percorria para registrar um filho, bem como as dificuldades da época, em seu assento consta o dia 31 de janeiro de 1934.

 

Emília, carinhosamente chamada de moreninha por seu Antonio, conquistou sua atenção e afeto, sendo pedida em namoro em uma domingueira realizada no salão de festas do Sr. Antônio Possamai. O pedido foi aceito por Emília, que lembra com alegria que o noivo lhe emprestou seu cavalo marchador Rozzilho, outra de suas paixões, para levar o convite de casamento, acompanhada de seu irmão, para seus padrinhos, Tereza e Angelino Piazzoli.

 

Em 12 de setembro de 1953 foi realizada a cerimônia de casamento de Antonio Afonso Fontana e Emília Possamai. Após o casamento foram morar na casa do pai do noivo, uma casa grande de madeira, com cinco quartos, sala cozinha e varanda com cerca, de onde se via os potreiros, serraria, mata e plantações. Naquela época a água não era encanada e luz somente de liquinho.

 

O casal acordava às cinco da manhã, tomavam o desjejum com polenta e café com leite, pegavam a lamparina chamada de “pixirica” e juntos tratavam das criações. Depois, Antonio ia para a serraria e Emília para a lida na roça. Às onze da manhã já estava em casa socando arroz no pilão para fazer o almoço, feijão mexido com arroz, carne e salada; à noite, antes de dormir fazia minestra com queijo e ovos fritos. Nos finais de semana reunia a família e, como manda a tradição, no domingo era servido galinha caipira com molho, massa, queijo com ovo e arroz. Diante da falta de luz, na época Antonio carneava o gado e o porco e os colocava no sol para secar, conservando assim o alimento, as mulheres faziam salame, torresmo, banha de porco para usar no preparo de alimentos e na fabricação de sabão caseiro. 

 

No primeiro ano de casados foram abençoados com o nascimento do filho, Vilson Fontana, nascido no dia 17 de julho de 1954. Depois a Vilma Fontana, nascida em 16 de abril de 1957, tão carinhosamente apelidada pelo seu avô materno quando a viu pela primeira vez, encantado com sua beleza, de “Pupinha”, que em Italiano significa bonequinha. Dois anos depois nasce o filho Vilmar Fontana, em 10 de agosto de 1959, também carinhosamente apelidado de “Alemão” por Gervasio Pagani. Vânio Fontana nasceu em de 02 outubro de 1962 e o caçula, Volnei Fontana, nasceu em 15 de janeiro 1967.

 

Antônio e Emília não criaram somente seus filhos. Sua irmã Maria, casada com Natal Freza, e com quem tinha quatro filhos (Osni, Osli, Odilá e Odilé), teve seu esposo assassinado pelo compadre após uma discussão e foi acolhida por seu pai e seu irmão Antônio, que cuidou dos sobrinhos até possuírem idade de trabalhar, sendo que Odilé foi criada junto com a Vilma até o seu casamento. Com o crescimento da família houve a necessidade da construção de uma nova casa maior, com banheiro na área, água e luz. Antes tinham que lavar roupa e pegar água direto na fonte, utilizando-se das antigas patentes ou latrinas, que ficavam distantes da casa. Para o banho, até então, era utilizado um latão latão furado como chuveiro.

Mas a dificuldade de acesso até a localidade de Garapuvu e com os filhos precisando estudar, o casal resolveu mudar-se para Sombrio, em 1986, após residir 59 anos na mesma localidade, onde ajudou construir a igreja, serrando madeira e trazendo de caminhão as pedras e tijolos. Em Sombrio, também colaboraram na construção da igreja matriz, com o corte e doação de ripas de palmito para a construção do telhado da igreja.

 

Com a vinda para Sombrio trouxeram também a serraria, instalando-a às margens da BR 101, chamando a empresa de “Serraria Fontana”. Com a transferência da serraria, Antônio, não abandonou o Garapuvu, onde, no local da serraria, residiram até seis famílias de agregados, trabalhando no cultivo do fumo – com 10 estufas –, na criação de gado e na plantação de eucalipto. Ainda hoje, Antônio, permanece cuidando destas terras. Ele sente saudade do tempo em que as famílias cultivavam suas terras, morando umas próximas das outras, como no caso do padrinho, André Fontana, casado com Luiza Simon, inspetor de quarteirão que possuía muita sabedoria e experiência, onde Antônio buscava conselhos. Dos amigos sempre lembra com carinho de João Alfredo Silva, do compadre Otávio Possamai, Gervasio Pagani, Padre Huberto e Antonio Acordi.

 

Alvo de admiração irrestrita, tanto pelo trabalho quanto pelo seu comportamento, Antonio sempre foi um homem que ajudou muito a comunidade, chegando a ser presidente por 15 anos da igreja da Vista Alegre, sendo bem quisto por todos. Antonio e a esposa cuidaram de seu pai Afonso até os 84 anos, quando teve um derrame e veio a falecer, já a mãe dona Ana faleceu com 72 anos trabalhando no paiol descascando milho, sendo encontrada pela neta Odilé. Junto o casal também cuidou da mãe de Emília Dona Assunta que morou com os mesmos por nove anos, vindo a falecer de morte natural aos 87 anos, após dois anos e quatro meses sem se levantar de uma cama.

 

A palavra família, para este casal, representa dedicação, pois dedicaram suas vidas a cuidar de seus pais na velhice, de sobrinhos e filhos, trabalhado arduamente para conquistar o patrimônio que hoje possuem, lembrando que tudo que conquistaram, foi pensando em seus filhos. Seu primeiro filho, Vilson Fontana, casado com Telis Pereira, tiveram 04 filha: Katiussi Pereira Fontana, que faleceu ainda criança em um acidente com o caminhão do pai; Cíntia Pereira Fontana, Talita Pereira Fontana e Lara Pereira Fontana. Foram dois acontecimentos muito triste para Antônio e Emília, o falecimento da neta e, alguns anos depois, o falecimento também do filho em um acidente de transito, dor esta que não se apaga da memória do casal e das pessoas que os conhecem.

 

Sua filha Vilma Fontana, conhecida por todos como “Pupa”, apelido que carrega desde a infância, teve duas filhas: Débora Fontana Rosso Borges e Catiana Fontana Rosso, estando hoje casada com o Sr. Alcebíades Scorsatto. Já o filho Vilmar Fontana, casado com Maria Margarete Melo, teve dois filhos: Iago de Melo Fontana e Iuri Antonio de Melo Fontana.Vânio Fontana, casado com Joana Aparecida Machado Fontana, também teve dois filhos, Maicon Machado Fontana e Isadora Machado Fontana. O filho caçula, Volnei Fontana, tem cinco filhos: Volnei Fontana Júnior, Gustavo Fontana, Sarah Fontana, Igor Henrique Fontana e Victória Santos Fontana e hoje encontra-se convivendo maritalmente com Rosane Amaral Fontoura.

 

A vida do casal Antônio e Emília, foi cercada de acontecimentos, muita luta, trabalho árduo e perdas doloridas, mas até os dias de hoje ambos seguem juntos um cuidando do outro, sempre no centro da família, sendo exemplo de vida e dedicação. Antônio mesmo com 88 anos de idade, ainda exerce suas atividades, dirige seu carro até o Garapuvu para cuidar de suas terras, aconselha os filhos e possui uma grande mulher que está sempre ao seu lado, em todos os momentos bons e difíceis, seguindo a história da vida com fé, determinação, coragem e dedicação, deixando como herança, não só os bens que adquiriu no decorrer de sua trajetória, mas um exemplo de vida a ser seguido por seus filhos, netos e bisnetos.

 

Álbum de Família

Antônio Afonso Fontana nasceu na localidade conhecida como Garapuvu, em Sombrio - SC, em 24 de fevereiro de 1927, 3º filho de Afonso Fontana e Ana Dal Pont Fontana.

 

De berço humilde de descendentes de italianos colonizadores, seu pai apanhou a cavalo a parteira Maria, mais conhecida como Dona Munda, para realizar seu parto. Estudou até a 3ª série do ensino fundamental na localidade de Vista Alegre, oportunidade que poucos possuíam naquela época, e já muito moço apaixonou-se pela matemática, sempre aplicando a humildade de dividir, a garra e determinação de somar e a sabedoria de multiplicar.

 

Desde moço dono de uma personalidade forte, fé inabalável, e sempre com os pés no chão, ajudava seu pai na roça, no trato com os animais e em um engenho de farinha, vendido em 1946, para formar uma serraria em sociedade com André Fontana, seu padrinho, Afonso Fontana, seu pai, e mais dois sócios, Atílio e José Cechinel.